sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

animais

há de ter um mundo novo
há de ter um ano novo
um gosto novo,
ali naquela varanda
por detrás dos seus olhos.
liberdade é um animal doméstico.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

verão

não sabe mais escrever
enterrada na camisola de seda
perdida nos jardins secretos.
vai esperar o verão passar
derramada na chuva ácida
a procura de versos amassados
entre os seios.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

memórias esquecidas para lembrar no ônibus

o medo da morte
e o mate gelado
bom era quando
amor era
só apertar as mãos
escondidas debaixo da mesa
bom era
quando era
deveras
a mentira
das cartas
sem nexo
dos chiclets
trident
e dos beijos
de cinema mudo
nas salas sem ar condicionado.
recondicionado o amor
tudo termina e começa
no vazio escatológico
das ruas asfaltadas
e madrugadas negras e gasosas
como coca-cola
e o medo dessa morte
que nos encontra
quando aproxima
o óxido do íntimo
refluxo dos ínfimos
eu só quero
que você me guarde
naquele pedaço súbito de sol
que rasga a janela
nas manhãs de dezembro
e me cubra dos hálitos antigos
como se nunca tivéssemos
nos perdido
nos achado
esquecido
e coubéssemos
sem medida
em poemas esquisitos.