insônias
estraçalhadas e fixas
nas janelas
dos apartamentos
olham
o fluxo capital
de tudo
o seio
lento e frágil
dos segundos
densos
queimam
no músculo
tenso
da cidade
passam
coxas enterradas
nos sapatos
saltam
lânguidos
em cola de esparadrapo
repetem
balanço bruto
dos quadris automotivos
jamais
acabam-se
como um filme
sob a luz do mundo
dos vivos
dormem
só
na ficção morta
do sono dos
vivos
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4 comentários:
depois de enterrar a cabeça
em realidade,
meu travesseiro é um berço onde dormem
tranquilos meus sonhos de concreto...
Beijo poeta e dança.
Fantástico como a criatividade dos que não dormem.
muito boa, lindo
Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
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