sexta-feira, 13 de maio de 2011

insones

insônias
estraçalhadas e fixas
nas janelas
dos apartamentos
olham
o fluxo capital
de tudo
o seio
lento e frágil
dos segundos
densos
queimam
no músculo
tenso
da cidade
passam
coxas enterradas
nos sapatos
saltam
lânguidos
em cola de esparadrapo
repetem
balanço bruto
dos quadris automotivos
jamais
acabam-se
como um filme
sob a luz do mundo
dos vivos
dormem

na ficção morta
do sono dos
vivos

4 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

depois de enterrar a cabeça
em realidade,
meu travesseiro é um berço onde dormem
tranquilos meus sonhos de concreto...

Beijo poeta e dança.

Marília disse...

Fantástico como a criatividade dos que não dormem.

b. girauta disse...

muito boa, lindo

Emoções disse...

Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.