quarta-feira, 8 de junho de 2011

meio-fio

o disco de elis e tom
esquecido
em cima da cama
lembra
em silêncio
suspiros
estirados
no meio-fio
delírios
novembros
versos
cartas
nunca
escritas
tudo
ou quase
quando corta
sussurra
dissolve
agridoce
na fumaça
que embaça
os olhos
embaraça
a boca
embriaga
os tristes
devolve
desliza
som
de velhos
discos
riscados
feito risco
de dente
no corpo

4 comentários:

Por que você faz poema? disse...

O que tinha de ser
só tinha de ser com voce
nessa triste fotografia
esse retrato em branco e preto.
Por toda minha vida, juro,
brigas nunca mais,
nem mais separação.
Pois é, está chovendo na roseira:
inútil paisagem.

b. girauta disse...

um meio-fio dificilmente é tão poético..

Márcio Ahimsa disse...

entre Tom e Elis,
um adereço de ser feliz...
um disco de vinil
arriscando um riso
por um trís

O Impenetrável disse...

meio fio certeiro, como um suspiro de palavras que marcam, alucinam e descrevem certas verdades.


abraço!