sábado, 3 de setembro de 2011

15:45

Aos sábados as ruas se enchem de gente sem pressa. Há crianças, cachorros amarelos, janelas azuis. Há uma impressão de ser preciso ver o mar e não espantar os pássaros na calçada. Há uma doce solidão nas tardes frias e ensolaradas. Há um delicioso perigo em ser assaltado, que em todo e qualquer outro dia é somente agonia. Há especialmente casais de namorados. E algum rosto velho cheio de vincos, onde as vias não são expressas. Há uma súbita aparição de barcos a vela, mulheres amadas, folhas amarelas e nunca secas. O dia se demora em bicicletas e beijos de telenovela. As formigas passeiam pelos dedos dos pés. O tempo escorre, não passa. As mulheres engravidam. As xícaras de café não tiram o sono. Os raios de sol queimam a pele com certa ternura. Os lábios desabotoam a flacidez das palavras. A vida se instala num quarto de hotel. Na aterrorizante alegria de estar de passagem.

3 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

Me senti assim quando estive no
Rio no fim de maio. Do alto de Santa Tereza eu imaginava tudo isso...

Assis Freitas disse...

que instantâneo este, como numa lente panorâmica as imagens vão-se construindo, belo



beijo

Sérgio Medeiros disse...

Belíssimo!