segunda-feira, 5 de setembro de 2011

sobre cidades e pessoas

essa sensação de que terá um ataque cardíaco a qualquer momento, de que as coisas desandaram, desandaram naquele mínimo instante, desandaram. que o corpo ira se perder numa inundação qualquer de dezembro. dezembro, sempre insuportável. e que vai morrer. a morte é aquela luz na janela do apartamento da frente sempre acesa. vai morrer. vai morrer nas coisas iguais, nas coisas coisas cotidianas terrivelmente iguais, lá onde moram os ataques cardíacos. a metrópole o ciberespaço o desespero vertical dos prédios. vai se dividir em pequenas teclas de smartphone. apertando-se contra um emaranhado de coisas não ditas repetidamenterepetidamente até o som de repetir-se virar um espaço igual liso instantâneo subterrâneo. vai morrer. e repetidamente desandar-se andar-se se andar se desandar todas as articulações possíveis da náusea. até todo o peso dos ossos estilhaçar-se em vômito pairando nuvem sobre a cidade.

3 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

visceral...

b. girauta disse...

muito lindo, fundo e sonoro. voltei ao mundo dos blogs, não sei como perdi tanto tempo sem te ler.

Anna Amorim disse...

Beatriz,

Sobre a massificação que mata.

Gostei da prosa poética.

Beijos,

Anna Amorim