segunda-feira, 26 de setembro de 2011

trabalho de parto

é nesse lento parto
por onde nasce uma
mulher estranha.

ela habita meus órgãos
rompe
ar
vaginas
como rompem
as palavras
nos poemas de Gullar

ela é hóspede do meu corpo,
a mulher estranha que te beija

é nessa lenta hora
onde nasce o sexo
estrangeiro ao
meu próprio sexo
é nessa hora
que nasce uma espécie.
um animal que dorme
nos hálitos mais
doces e rarefeitos

amor,
feto
que
flutua
nos
escuros

5 comentários:

Alessandro Eloy Braga disse...

Beatriz,

só posso dizer que adorei seu espaço de poesia. Há tanto para ler...

este sobre o nascimento e o desconhecimento de si é muito forte e sensível. Belas imagens poéticas com profundidade e agudeza que vai nos cortando a pele exposta.

ter que se perder, se desconhecer para fazer coisas, para viver coisas que talvez insistimos em nos proibir. Esquecer-nos para lembrarmos que podemos ainda existir. E tudo, neste desencontrar de si conduz a um contato lascivo com a própria vida. Como disse o bom Lulu Santos... "vamos nos permitir".

e tudo é tão deliciosamente violento, intenso e apaixonante.

obrigado por sua poesia tão intensa. deixo um abraço amigo de agradecimento por todas essas sensações que me proporcinou nesta leitura poética.

vou te seguindo, então... e vou ler mais do que nos dá aqui.

Fouad Talal disse...

Bia,

já leu os poemas da Mar Becker?
Sempre que te leio lembro dela e vice-versa...

Passa lá: http://deterdeondeseir.blogspot.com/

Bjo!

Sérgio Medeiros disse...

Gostei especialmente da primeira estrofe.

Marília disse...

É assim que se descreve poeticamente a cena mais inesquecível do semestre: a explosão épica de uma Beatriz que se descobre. Adoro sua habilidade de se traduzir em palavras mesmo quando afirma que elas lhe fogem.

Anna Amorim disse...

Beatriz,

Sobre a entrega, o que dizer? Viver e pura poesia.

Beijos,

Anna Amorim