é nesse lento parto
por onde nasce uma
mulher estranha.
ela habita meus órgãos
rompe
ar
vaginas
como rompem
as palavras
nos poemas de Gullar
ela é hóspede do meu corpo,
a mulher estranha que te beija
é nessa lenta hora
onde nasce o sexo
estrangeiro ao
meu próprio sexo
é nessa hora
que nasce uma espécie.
um animal que dorme
nos hálitos mais
doces e rarefeitos
amor,
feto
que
flutua
nos
escuros
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5 comentários:
Beatriz,
só posso dizer que adorei seu espaço de poesia. Há tanto para ler...
este sobre o nascimento e o desconhecimento de si é muito forte e sensível. Belas imagens poéticas com profundidade e agudeza que vai nos cortando a pele exposta.
ter que se perder, se desconhecer para fazer coisas, para viver coisas que talvez insistimos em nos proibir. Esquecer-nos para lembrarmos que podemos ainda existir. E tudo, neste desencontrar de si conduz a um contato lascivo com a própria vida. Como disse o bom Lulu Santos... "vamos nos permitir".
e tudo é tão deliciosamente violento, intenso e apaixonante.
obrigado por sua poesia tão intensa. deixo um abraço amigo de agradecimento por todas essas sensações que me proporcinou nesta leitura poética.
vou te seguindo, então... e vou ler mais do que nos dá aqui.
Bia,
já leu os poemas da Mar Becker?
Sempre que te leio lembro dela e vice-versa...
Passa lá: http://deterdeondeseir.blogspot.com/
Bjo!
Gostei especialmente da primeira estrofe.
É assim que se descreve poeticamente a cena mais inesquecível do semestre: a explosão épica de uma Beatriz que se descobre. Adoro sua habilidade de se traduzir em palavras mesmo quando afirma que elas lhe fogem.
Beatriz,
Sobre a entrega, o que dizer? Viver e pura poesia.
Beijos,
Anna Amorim
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