os seios debruçados
sobre tua solidão
são relicários de perdas
antigos
flácidos
vulgares
é a parte de mim
que te procura
nos lugares
o contorno
exato
da tua falta
a parte
que exausta
da procura,
fixada,
vigia
e aflita
nas águas
de letargia,
parte
e partida
caminha
só
parte amputada
e amputada
só
é inteira
como o corpo
propriamente dito
de uma fêmea
e nos espelhos
multiplicados
vejo a mulher
que no tórax
à céu aberto
carrega
outra mulher,
são criaturas
dúbias
dirão eles
sem saber
que vislumbram
a própria imagem
transmutada
extraviada
num órgão-corpo
são criaturas dúbias,
dirão eles
senhora
que carrega
presa no tórax
a criada travestida
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