sábado, 8 de outubro de 2011

navio negreiro

uma imensa solidão
me abate
entre as coxas,

deita sobre mim
com o íntimo poder de um
senhor de escravos.

ela é sempre o primeiro homem.


lágrimas vem enfileirar-se
como damas de honra
mucamas esbeltas
percorrendo o salão


e todos os homens serão sempre ela.

há qualquer coisa de fêmea
em todos.
eles

músculos irão se quebrar
como bailarinas de porcelana.

ela é o outro.

erguendo teu sexo
como o concreto de um navio
que corta o mar
é ela, senhor

antagônica criatura do teu ser
exato
a primeira
a me penetrar

4 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Sem fôlego, fiquei.

Sérgio Medeiros disse...

Uma torrente de imagens bonitas e forte.

Anna Amorim disse...

Beatriz,

"e todos os homens serão sempre ela."

Fiquei sem palavras, assim retratada.

Forte abraço,

Anna Amorim

Um brasileiro disse...

Oi. Tudo blz? Estive aqui dando uma olhada. Muito legal. Apareça por la. Abraços.