um estado bruto de poema
me pesa nas mandíbulas
nessa hora do dia
em que sofro
uma espécie de falta.
de palavras
e noto
os sapatos
excessivamente sujos e velhos
que só agora
deixam de me sangrar
o calcanhar
o poema
me pesando
a mandíbula
me abandono
à paixão idiossincrática
de olhar barcos a vela
na marina de botafogo.
todos tão brancos e verticais
nos azuis demasiado azuis
do rio de janeiro
em primavera
me demoro
nos barcos
a imagem
é uma cúmplice
na marina
bóiam os barcos
uma coleção de destinos
à espera.
do tempo
que tome
do vento que
parta
do braço
que navegue
silenciosamente
os barcos
são meus cúmplices
frágil baú de guardados
à céu aberto
regaço
de minhas
distâncias
e naufrágios
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2 comentários:
Adorei teu espaço. Tudo muito intenso por aqui...
Barcos são cheios de espera.
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