quarta-feira, 9 de novembro de 2011

quintessência

o cheiro da rua nos meus lençóis
o cheiro dos poemas esquecidos
o cheiro de mofo e menta e cinema sem lugar marcado
do primeiro namorado
o cheiro do homem estranho no museu
o cheiro do que arde do que dorme
o cheiro do quarto de empregadas
o cheiro da avó morta
o cheiro insuportável dos dezembros
o cheiro dos buracos
o cheiro dos teus ascos
o cheiro do que falta
o cheiro do que nada
o cheiro do que tudo
o perfume do teu cabelo em sete de maio
são paulo, outono de dois-mil-e-oito



1 comentários:

Aline Fidelis disse...

Lírico e preciso. Bom trabalho!